18 de set de 2017

Automação Residencial como um diferencial competitivo no mercado imobiliário

Artigo publicado na revista Lumiere Electric numero 232 - setembro 2017

Por: Eng. José Roberto Muratori (*)

Em outros artigos aqui publicados temos discutido a influencia positiva que os sistemas de automação podem oferecer na eficiência das edificações. Seja na redução no consumo de energia e insumos, no uso das instalações e na manutenção dos sistemas que se tornam mais simples, este tipo de abordagem se situa fortemente ligado às áreas comuns dos prédios e condomínios.

Aparentemente, estas soluções vêm ganhando corpo não só nos projetos de novas edificações como também em condomínios já implantados onde os elevados custos operacionais estão obrigando os gestores a adotar soluções inteligentes.

No entanto, neste artigo vamos mudar o foco e discutir como pode ser bem sucedido o uso de sistemas de automação no ambiente residencial, ou seja, na unidade habitacional especifica, seja um apartamento ou uma casa.

Por se tratar de um sistema reconhecidamente personalizado, a Automação Residencial tem sido tratada com frequência como um item que deve ser discutido de forma individual, ou seja, entre o morador e os prestadores de serviços que lhe atendem, deixando de lado a construtora ou quem participou do projeto desde o inicio.

Esta visão precisa mudar e rapidamente. Por quê? Temos observado mudanças muito representativas nas questões ligadas à habitação nos anos recentes. Fóruns, congressos e eventos em geral reunindo desde incorporadores até urbanistas, arquitetos e projetista mostram tendências relevantes no “morar”, dentre as quais podemos destacar:

- redução da área útil das unidades, principalmente apartamentos com localização mais centralizada nas grandes cidades.

- utilização cada vez mais intensiva dos equipamentos urbanos disponíveis na redondeza, desde transporte publico até academias, lojas e escolas.

- deslocamento do local de trabalho para áreas de co-working ou home offices

- criação de habitações com características específicas para determinados tipos de usuários, tais como terceira idade, millenials, geração Z e outras tipificações.

- um crescente desapego pelo verbo “possuir” nas novas gerações, vide o sucesso de iniciativas como os aplicativos de transporte (ex: Uber) ou de moradias temporárias (ex: Airbnb)

Neste contexto é perceptível a participação crescente e, podemos dizer, pervasiva da tecnologia impregnando os novos hábitos de moradores. Até mesmo benefícios sempre procurados como segurança e economia podem abrir espaços importantes para o lazer, o trabalho, o monitoramento da saúde e aspectos que envolvem a convivência social fora do ambiente doméstico.

Então, ao avaliar estas mudanças, os investidores e incorporadores da construção civil se deparam com um novo e inusitado cenário. Surgem questões que nunca haviam sido levantadas antes. Inicialmente são buscadas soluções mais obvias no ambiente construído e que partem basicamente de partidos arquitetônicos. 

Por exemplo, códigos de edificações urbanas vêm reduzindo gradativamente o numero possível de vagas de garagem nos novos empreendimentos e, num primeiro momento a reação de alguns incorporadores foi de deixar uma pequena frota do condomínio disponível para locação esporádica pelos moradores. Legislação acústica mais severa também obriga intervenções nos projetos. Apartamentos menores têm gerado áreas comuns mais equipadas (academias de ginastica, salões de beleza, brinquedotecas...). Mas, ainda não é esta a questão central...

Temos que voltar nossos olhos para a diversidade das novas demandas dos moradores também dentro de suas casas. Por exemplo: quem usa o ambiente domestico para sua jornada de trabalho diariamente tem necessidades bem diversas do um casal de idosos que mora ao seu lado. Jovens que residem momentaneamente num apartamento enquanto fazem um intercambio ou um curso não criam raízes com a moradia. Mas, se pensarmos bem, todos eles precisam de tecnologia enquanto estão dela se utilizando.

O home office do primeiro morador precisa conectividade, velocidade e praticidade. Os idosos precisam ser monitorados em suas condições de saúde, tomar medicamentos nos horários certos e contar com ajuda externa quando necessário. Os jovens têm que se manter conectados com parentes distantes e querem a portabilidade de seus gostos pessoais, como músicas, games ou vídeos. Mas, em geral, nenhum deles vai dispensar ter tudo isto num ambiente também confortável, bem iluminado e climatizado, seguro e fácil de ser utilizado.

Como então proporcionar esta diversidade de benefícios para moradores tão distintos?

Aquilo que tratamos acima envolve elementos básicos que deveriam estar presentes em todas as moradias, em maior ou menor grau. Vejamos:

- internet rápida e confiável, disponível para uso continuado através de diversos equipamentos, móveis ou locais.

- energia de qualidade, sem oscilações e de preferencia sem interrupções.

- iluminação (artificial e natural) eficiente e simples de ser comandada; isto implica o acionamento de luzes, mas inclui também a abertura e fechamento de cortinas e venezianas.

- lazer e recreação no ambiente residencial, representado pelo acesso a conteúdos diversos, como e-books, músicas, games e filmes em toda a moradia.

- controle de acesso e vigilância bem resolvidos, eficiente e seguro tanto para moradores como para visitantes e prestadores de serviços.

- alarmes técnicos para evitar acidentes domésticos, envolvendo pessoas ou equipamentos

- conforto ambiental, envolvendo tratamento acústico e climatização adequados e eficientes

Se atentarmos para esta lista acima percebemos que para cada situação temos soluções de automação residencial que podem atender plenamente o que foi requisitado, a saber:

Redes domésticas, com e sem fios, bem dimensionadas e instaladas são um requisito básico e imprescindível para qualquer tipo de moradia atualmente.
Sistemas de medição e de gestão de energia, além de sistemas de energia alternativa (no-breaks ou geradores conforme o caso) passam a ser usuais.

Lâmpadas mais eficientes como LEDs e cortinas motorizadas podem ser comandadas por controles simples ou smartphones para facilitar tarefas diárias.

Sistemas de sonorização ambiente e de distribuição de vídeo garantem o entretenimento a qualquer hora e em qualquer ambiente da casa.

Fechaduras com leitores biométricos, câmeras e sistemas de alarmes, de fácil instalação e monitorados na nuvem garantem uma segurança avançada, estando o morador dentro de casa ou a milhares de quilômetros de distancia.

Alarmes de variados tipos, incluindo sensores de ocupação, de abertura de portas, de vazamentos e similares podem detectar ocorrências fora da rotina do morador e alertar colaboradores do condomínio ou serviços de atendimento externos.

Sistema de aspiração de pó a vácuo facilita, agiliza e melhora a qualidade da limpeza domestica. Aparelhos de ar condicionado e de aquecimento podem ser acionados e controlados localmente ou á distancia, melhorando as condições de temperatura ambiente e evitando serem esquecidos ligados.

Além destes itens acima, todos já incorporados às modernas tendências da automação residencial, estão surgindo outros “facilitadores” que estarão disponíveis entre nós muito em breve: os assistentes virtuais, na sua maioria acionados por comando de voz e contando com grande interatividade. Além de poder comandar todos os equipamentos domésticos já citados, eles estarão sintonizados com sistemas em nuvem eleitos pelo morador conforme suas preferencias: condições do clima, situação do transito, notícias da economia, restaurantes ou farmácias da região, eventos de seu interesse e assim por diante.

Então, finalmente, perguntamos: os novos empreendimentos da construção civil que estão sendo planejados neste momento estão incorporando estas tendências nos seus projetos?  Se esta questão ainda não se espalhou como deveria, será que os investidores “antenados” não obterão um considerável diferencial para os seus produtos imobiliários se apostarem nelas?

Na nossa visão, a mudança de hábitos dos moradores é irreversível e acelerada. A reação dos diversos fornecedores da cadeia produtiva é sempre irregular e pouco previsível. Normalmente, a indústria da construção civil tem sido uma das mais lentas em abraçar as novidades tecnológicas. Mas, o atual contexto econômico aliado ás mudanças que nos referimos, não vai permitir erros de planejamento que poderão causar a diferença entre sucesso e fracasso.

E, antecipar uma necessidade latente, sempre representou um diferencial estratégico para empreendimentos vencedores. Assim, fica a recomendação aos visionários...
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(*) José Roberto Muratori é engenheiro pela Escola Politecnica da USP com especialização em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas. Consultor e projetista de Automação Residencial e Predial e atual diretor executivo da AURESIDE

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